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A
hora é de Copa do Mundo. Por todos os cantos do planeta,
este é o assunto que promete tomar conta dos próximos
dias. Nem é preciso falar que, no caso dos brasileiros,
a ansiedade e a euforia parecem ser maiores ainda. Entre homens
e mulheres. Mas será que elas gostam mesmo de futebol?
Aspectos culturais e educacionais remetem ao fato de que homem
gosta mais de futebol que a mulher. Isso é verdade?
Certamente não é regra! Muita mulher vai passar
longe da tevê nesse período. Por outro lado,
ultimamente elas têm presença significativa nas
torcidas – e nos gramados!
A
bibliotecária Ana Mischiati, 34 anos, se enquadra no
perfil das mulheres que assistem a um jogo de futebol pelo
prazer da companhia, pela confraternização entre
amigos. Ela acha que em época de Copa, até quem
não entende do assunto se interessa. Mesmo porque,
Ana acredita que muita coisa mudou. Para ela, as mulheres
hoje gostam de futebol e gostam de praticar o esporte. “E
elas o fazem sem o estereótipo do masculino”.
Apesar
de perceber o aumento da prática do esporte pelas mulheres,
a arquiteta Nélida Gouveia diz não conhecer
muitas que realmente gostem de futebol. “Às vezes
algumas vão na onda, mas aquela coisa de torcer, vibrar,
creio que não chegamos nem aos pés dos homens”,
diz. Casada com um que assiste a todos os jogos possíveis
na tevê, ela faz questão de afirmar: não
dou a mínima para futebol. “Se está passando
um jogo, eu ‘assisto’, mas não presto atenção.
Não me pergunte nada, porque não vou ter visto
aquele gol de placa, nem saber afirmar se foi falta”,
assume. O marido já tomou precauções
para a Copa: “Disse que se eu deixá-lo assistir
aos jogos, reprises e debates, vai me dar um presente”.
Mesmo
em época de Copa do Mundo, ela acredita que as mulheres
se interessam superficialmente pelo assunto. “Só
acompanham mesmo a classificação e jogos do
Brasil”. Na opinião da arquiteta, de 28 anos,
a questão é cultural. “Desde cedo os meninos
mostram sua paixão por futebol. Na maioridade, futebol
é sinônimo de bebedeira com os amigos, programa
que fazem questão de manter tipicamente masculino”.
Torcedora do Corinthians e “boa de bola” no colégio,
a estudante Luíza, 13 anos, acha que as mulheres gostam
sim de futebol, mas na maioria das vezes não é
uma coisa que coloquem em primeiro lugar. Em época
de Copa, ela acha que as mulheres – até as que
não gostam muito - se interessam porque o mundo todo
está de olho.
Sobre
essa história que futebol é coisa de homem,
ela diz: “Garotos e garotas foram criados ouvindo que
futebol é pra menino”. Na escola, Luiza vê
que as meninas gostam de praticar o esporte, inclusive ela.
“Mas às vezes os garotos não as deixam
jogar, porque pra eles, futebol continua sendo esporte de
menino”, conta. Ela revela não ter problemas
com a ala masculina. “Os meninos me chamam pra jogar
no time deles!”. E mulher jogando futebol profissional?
“Acho legal, é bom pra eles entenderem que menina
também pode”.
Na opinião de Ana Mischiati, essa mudança de
comportamento em relação ao futebol ocorre como
em todos os outros acontecimentos que envolvem a mulher. “É
uma mudança de comportamento na sociedade, e de perfil
também, nos últimos tempos. O fato dela não
gostar de futebol ou desse ser um esporte para homens foi
ditado por eles ao longo do tempo. Hoje a mulher faz suas
próprias escolhas”.
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