Crianças
e adolescentes se mostram cada vez mais entendidos em Internet.
Já incorporada ao dia-a-dia deles, essa rede pode ser
um veículo enriquecedor. E, ao mesmo tempo, trazer
informações nocivas. Nessa hora, os pais devem
estar atentos. E-mails, comunidades e chats ligam pessoas
em todo o mundo e a garotada acaba exposta a situações
nem sempre convenientes, caindo em armadilhas. Existem as
gangues de Internet, as questões relacionadas a sexo
e pornografia, entre outros assuntos perigosos. Como lidar
com isso?
Para
a psicóloga clínica e terapeuta de casal e família
Neide Zucoli, o problema não se resolve proibindo os
filhos de entrarem na Internet. "Os pais devem conversar,
orientar sobre os perigos, estipular limite de tempo para
navegar na rede, informar-se sobre o que estão acessando,
eventualmente navegar com eles. Estimular para que a socialização
não se limite ao virtual. Que eles saiam e tragam amigos
em casa. Isso dá trabalho, exige disponibilidade afetiva,
tempo e presença".
O
tipo de vida que as pessoas levam atualmente interfere de
maneira significativa nesse contexto. "Distancia as pessoas.
Os pais têm menos tempo para acompanhar e educar os
filhos e, muitas vezes, delegam isso à escola",
diz. O medo da violência também faz com que os
pais procurem mantê-los dentro de casa como forma de
proteção.
A
ausência física ou afetiva e a falta de hierarquia
entre pais e filhos são fatores complicadores da situação.
"Os pais querem compensar a ausência atendendo
aos desejos dos filhos. Isso dificulta a colocação
de limites". Para a psicóloga, é
necessário participar da vida do filho, consciente
de que amor também é firmeza, disciplina, cuidado,
proteção.
Entretanto,
não se pode delegar toda a culpa aos pais. Existem,
segundo Neide Zucoli, as diferenças individuais, os
impulsos agressivos do ser humano. Uma série de fatores
que pode aflorar nessas situações. "Estando
atentos, os pais podem buscar ajuda mais cedo".
De
olho neles:
•
Não deixe seu filho no quarto fechado. O computador
pode ser instalado em uma área de acesso de outras
pessoas.
•
Cuidado com as câmeras. Elas oferecem um risco diferente,
pois expõem a imagem da criança. Quem está
do outro lado pode aproveitar disso.
•
Se seu filho fica horas no computador, vá ver o que
está acontecendo. Se ele fecha rapidamente uma página
quando você se aproxima, dê uma olhada no histórico.
•
Se possível, compartilhe os e-mails ou tenha acesso
à senha, para saber que tipo de comunicação
seu filho está fazendo.
•
Encontros da Internet são comuns. Esteja sempre alerta
paro o risco - o que vale não apenas para crianças,
mas para todas as idades.
•
Às vezes, a criança não fala, mas apresenta
sintomas de que algo não está bem. Ela pode
estar sofrendo pressão, abuso, assédio e tem
medo de falar. Por isso é importante um diálogo
aberto. |