| |
Levar um
relacionamento amoroso adiante não é tarefa
fácil. Ainda mais depois de anos de convivência.
Sem contar a chegada de novos fatores como filhos, parentes,
contas... Nesses casos, como administrar a paixão?
O que acontece
no início do relacionamento? Para a jornalista Eliana
Chueri, separada há alguns anos, os dois lados querem
(e precisam) mostrar como são ótimos e maravilhosos.
“Fazem tudo pra agradar”. Na opinião de
Sylvia Machado (nome fictício), casada há mais
de 10 anos, é um período de encantamento em
que as coisas boas são ressaltadas e a atração
sexual, a vontade de compartilhar é maior porque existe
a novidade.
Com o desgaste
da relação, os casais param de namorar. Depois
da conquista, acrescenta Eliana, a certeza de que um tem o
outro faz com que o casal relaxe. “As delicadezas são
deixadas de lado e ambos passam a se tratar como velhos conhecidos”,
comenta. “Se um casal quiser ter vida longa, precisa
namorar sempre! O romantismo faz milagres. Ambos precisam
cuidar-se, ficar arrumadinhos e cheirosinhos um pro outro,
senão vira uma coisa comum”. Para Sylvia, quando
o relacionamento se estabelece, a rotina toma o lugar do novo
e os estímulos mútuos diminuem. “O amor
é movido a estímulos, alimento que esquecemos,
aos poucos, de dar ao outro. E o que não é alimentado,
morre”.
E quando chegam
os filhos, as contas para pagar, a relação com
a família de um e de outro? Essa é a parte mais
difícil, acredita Eliana. Enquanto são dois,
a vida pode ser cor-de-rosa por muito tempo. “Grana,
e principalmente a falta dela, pode causar sérios estragos
na relação”. A chegada dos filhos, ressalta,
é outro furacão. “Não dá
mais pra namorar tranqüilamente, e a mulher fica sobrecarregada.
Ou o marido assume sua postura de pai e ajuda nas fraldas,
mamadeiras e noites mal dormidas, ou a relação
esfria também”.
Para Sylvia,
o que acontece é que a paixão fica em segundo
plano e as delicadezas mútuas cedem à rotina.
“Os filhos, principalmente quando nascem, exigem muito”.
Na relação íntima do casal – destaca
– o fato de haver outras pessoas dependentes de afeto,
interfere. “Conciliar as coisas, sobretudo em tempos
difíceis em que o trabalho, por exemplo, é uma
necessidade grande – não é fácil.
A compreensão da relação como um todo
demora a chegar e, às vezes, chega tarde”.
E as famílias?
Podem ser outro problema se não ficarem onde têm
de ficar: cada uma na sua. “Aí entra uma palavra
importante para o casal: cumplicidade! Os dois devem ter a
visão de que são uma família, têm
de ser respeitados e tratados como tal”, diz Eliana.
Atualmente,
Eliana vive outra experiência de conquista. Está
namorando e analisa que quando se tem a oportunidade de viver
uma nova relação, deve haver o dobro de cuidado
para não cair nos mesmos erros. “Quanto mais
cerceamos a liberdade do outro, mais fácil o perdemos.
Viver junto não significa algemar-se ao outro. É
permitir que o outro faça suas coisas, assim como fazemos
as nossas e compartilhar tudo. Viver junto é ter vontade
de, ao final do dia, encontrar a pessoa que a gente ama para
abraçar, beijar e conversar. Fazer o jantar e lavar
a louça juntos. Não é fácil, mas
com boa vontade e disposição a gente consegue!”.
E Sylvia completa: sem esquecer de regar as plantas!
|

|