Nos últimos tempos, homens têm procurado seu lugar na criação dos filhos, dividindo um papel antes delegado bem mais às mulheres. Uma tarefa que inclui afeto, companheirismo, cumplicidade e comprometimento. A experiência de transformação da família com a presença do filho é significativa e compartilhar dessa mudança é uma forma de cooperar para que tudo se dê da melhor forma possível. É preciso um exercício diário, envolvimento com tarefas cotidianas e cuidados com o filho.
Para o pediatra João Carlos Grange, um fator determinante nessa relação ainda é a figura do provedor. “Quando o pai é presente e a mãe é a provedora, ele assume a casa e o cuidado com os filhos com menos resistência que antes”, relata. Há um interesse maior dos pais em participar da criação dos filhos, mesmo enquanto provedor. “Ainda é um processo lento, mas é uma situação mais freqüente”, diz. “Pais trazem os filhos nas consultas quando as mães trabalham. No entanto, não vejo uma padronização de comportamento. Existem os pais que dividem as tarefas com as mães e os conservadores, que se comportam como há 30 anos”.
O médico alerta que a mãe também precisa estar atenta para não monopolizar o filho. “Ela pode roubar espaço de um pai inseguro, que está passando por um processo de redefinição do seu papel de homem. Pode restringir o contato afetivo entre pai e filho. É preciso estar atenta em deixar o pai ter tempo e contato com o filho, para que eles possam juntos entrar em conflito e encontrar um ponto de equilíbrio na relação”.
Grange ressalta que quanto maior o vínculo afetivo entre pais e filhos, mais rica será a experiência de vida da criança. O contato do pai na primeira infância, até os seis anos de idade, é fundamental para a formação da personalidade. “Com esse olhar de afeto, carinho, a criança vai poder ser um adulto mais seguro”.
Pai pela primeira vez aos 45 anos, o produtor Nilton Marques considera a paternidade a experiência mais maravilhosa de sua vida, que chegou acompanhada de uma sensação de grande responsabilidade. “É que tudo passa a ser em função da criança, nova prioridade na vida do casal”. Pai há quatro meses, Marques quer aproveitar ao máximo – e com qualidade - o tempo que tem para dividir com a filha.
“Sou um assessor esforçado”, brinca. “Estou junto na hora do banho, da troca de fraldas... Pra mim, a palavra é... ser presente. Quero aproveitar ao máximo a infância dela, cada detalhe dessa evolução”, revela. “Se estou nas proximidades, dou uma passadinha em casa só pra ver como ela está”.
O mais difícil em desenvolver o papel de pai, na opinião de Marques, é a sensação de impotência, de pânico, nas horas em que a criança chora. “Pode ser apenas sono, mas também pode ser uma dor terrível, e a gente não sabe o que é. Isso é forte”. Mas e o melhor de tudo? “É ela me olhar, abrir aquele sorriso... uma certeza de que me ama”.